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Mulher isolada e explorada há 40 anos pela família é resgatada em situação análoga à escravidão em SC
21/05/2026
(Foto: Reprodução) Mulher explorada há 40 anos pela família é resgatada em propriedade rural em SC
Uma mulher que viveu por mais de 40 anos em situação de exploração doméstica pelos próprios familiares foi resgatada em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Benedito Novo, cidade de 10,5 mil habitantes no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Familiares tentaram impedir o resgate (veja mais abaixo).
As informações são da Secretaria de Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), responsável pela operação que ocorreu em 12 de maio, mas divulgada apenas nesta quinta-feira (21).
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As investigações começaram após denúncias. Durante a fiscalização, a equipe verificou que a mulher era submetida a trabalho forçado doméstico, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição de locomoção.
Fotos feitas pelos auditores-fiscais do Trabalho mostram como era o imóvel onde a mulher vivia (veja acima).
Resistência dos familiares
Inicialmente, familiares da trabalhadora resistiram à entrada das equipes e tentaram impedir o contato com a vítima. Mesmo diante da polícia, segundo a SIT, agentes foram ameaçados, inclusive com uso de facas.
Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública da União e profissionais de psicologia e assistência social participaram da ação.
A mulher foi acolhida pela rede de proteção social e encaminhada para atendimento especializado de saúde e assistência psicossocial.
Segundo a SIT, a situação será investigada pelos órgãos responsáveis para posterior responsabilização dos envolvidos.
Mulher explorada há 40 anos pela família é resgatada em situação análoga à escravidão em SC
SIT/Divulgação
Submetida ao trabalho desde a infância
Após a contenção da situação, os auditores-fiscais e os profissionais de assistência social conseguiram conversar com a trabalhadora. Ela apresentava sinais de neurodivergência, além de medo de deixar a casa, de acordo com eles.
Ela relatou aos fiscais que foi submetida desde a infância a atividades domésticas permanentes, sem remuneração, autonomia ou acesso a direitos trabalhistas.
Os auditores também constataram condições precárias de moradia e fortes indícios de isolamento social da vítima. Mooradores da região relataram que ela raramente era vista fora da casa.
Mulher explorada há 40 anos pela família é resgatada em situação análoga à escravidão em SC
SIT/Divulgação
Serraria irregular
Na mesma propriedade, os fiscais identificaram uma serraria funcionando de forma irregular, com trabalhadores sem registro formal e expostos a riscos de acidentes graves.
Máquinas artesanais com partes cortantes expostas operavam sem proteção adequada, e funcionários não tinham treinamento de segurança e ou equipamentos de proteção individual (EPIs).
Um dos trabalhadores disse que atuava no local há mais de dois anos e não tinha acesso a direitos trabalhistas. Segundo os relatos, a serraria tinha pelo menos cinco trabalhadores em situação informal.
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